
23 jun Entrevista com Astier Basílio
Memória, política e história. Acho que esses três grandes temas atravessam ainda outras referências de universos específicos como o teatro, o cinema, o neopentecostalismo e o mundo literário. São linhas com as quais eu venho desenvolvendo meu trabalho há um tempo. Acredito que a edição contribuiu pra ratificar o que venho pesquisando.
Quanto de tua experiência como dramaturgo te ajuda na escrita de ficção? Quanto atrapalha?Só ajuda. Comecei a escrever ficção para aproveitar uma cena excluída de minha primeira peça – resolvi transformá-la em conto. O trato com o personagem, a maneira de apresentá-lo em suas contradições e fraquezas, o poder do diálogo, tudo isso foram e são heranças que aprendi com a escritura cênica. A grande vantagem da ficção é que, ao contrário do teatro, em que eu tenho de fazer uma escritura vazada, incompleta, nos contos, eu completo o universo criado.
De que forma tua militância em crítica interfere no processo criativo?
Acredito que contribuiu numa utilização da metalinguagem. Gosto muito de trazer fatos reais para minha escrita. E medeio isso. Invento um filme ou uma peça de teatro, baseada nesse fato real, e um personagem comenta ou cita. Acredito que é a melhor forma de me apropriar de anos de crítica, na área de cinema, literatura e teatro.
O conto Quatro versões de A. Benítez faz parte de um projeto de romance? Ele vai para frente?
Sim. Até o momento, para minha surpresa, esta parte do livro tem recebido uma ótima recepção. Acabei me motivando a pensar a respeito. Talvez recupere e reescreva. É algo a se pensar.
O que achou do processo de edição artesanal do Falsas ficções?
Bonito, verdadeiro e forte. Um projeto desta dimensão faz com que pensemos na literatura interligada para além do processo de escrita.
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